Especialidade

Schwannoma Vestibular

Tumor benigno do nervo vestibulococlear, com perda auditiva progressiva, tratado por microcirurgia ou observação.

Schwannoma Vestibular
01 — O QUE É

Um tumor benigno do nervo vestibulococlear.

O schwannoma vestibular (SV), também chamado de neuroma acústico, é um tumor benigno derivado das células de Schwann com origem no nervo vestibulococlear. Representa 80–85% dos tumores que se originam no ângulo pontocerebelar. Apesar de benigno, pelo efeito de massa pode comprometer várias estruturas intracranianas.

A maioria cresce a partir do nervo vestibular inferior, raramente do superior ou da porção coclear. A histologia é característica, com áreas Antoni A densamente celulares alternadas com áreas Antoni B microcísticas.

Representa cerca de 6–8% de todos os tumores intracranianos e 80% dos tumores do ângulo pontocerebelar. É esporádico em 90% dos casos, unilateral e sem predominância de lado; o restante ocorre na neurofibromatose tipo 2. A exposição à radiação ionizante em altas doses é um fator de risco reconhecido.

Fig. 01 — Ângulo pontocerebelar
Fig. 01 — Ângulo pontocerebelar
02 — SINTOMAS

Sinais de alerta

A maioria dos pacientes apresenta perda auditiva neurossensorial unilateral (94%) e zumbido (83%). Sintomas vestibulares variam e costumam ser subnotificados. Tumores grandes podem causar neuropatia trigeminal e facial, compressão do tronco cerebral e hidrocefalia:

  • Perda auditiva unilateral
  • Zumbido
  • Vertigem e instabilidade
  • Neuropatia facial ou trigeminal
03 — DIAGNÓSTICO

Diagnóstico e classificação

A ressonância magnética é o método de escolha — a sequência T1 com contraste é o padrão-ouro para avaliação inicial e pós-operatória. A tomografia complementa, fornecendo a anatomia óssea da base do crânio.

O tumor surge como massa sólida com componente intracanalicular no meato acústico interno, que costuma alargar. É isointenso em T1, com forte realce após gadolínio, e heterogeneamente hiperintenso em T2; calcificações estão tipicamente ausentes.

Os sistemas de graduação mais usados são o de Koos (graus I a IV, do tumor puramente intrameatal ao que desloca o tronco cerebral) e o de Hannover, que detalha a extensão à cisterna pontocerebelar e a compressão do tronco.

Fig. 02 — RM do meato acústico interno
Fig. 02 — RM do meato acústico interno
04 — TRATAMENTO

Conduta e abordagens

A conduta considera o tamanho e a morfologia do tumor, os sintomas e as comorbidades. Em tumores grandes (Koos IV), a cirurgia é o tratamento primário; o objetivo é a ressecção total ou quase total, já que o volume residual se correlaciona com recorrência. As vias de acesso incluem:

01

Abordagem retrossigmóide

Indicada para tumores na cisterna pontocerebelar ou com efeito de massa significativo. Permite tumores de diversos tamanhos, oferece a possibilidade de preservação auditiva e excelente visualização do tronco encefálico e dos nervos cranianos.

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Abordagem translabiríntica

Útil para tumores de qualquer tamanho. A labirintectomia leva à perda completa da audição daquele lado, mas oferece acesso amplo e visualização superior de todo o nervo facial, sem retração cerebral.

03

Abordagem da fossa média

Acesso lateral ao canal acústico interno por craniotomia temporal, melhor para pequenos tumores intracanaliculares quando a preservação da audição é um objetivo.

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Observação

Oferecida a pacientes selecionados — idosos, com tumor muito pequeno e assintomático — com RM seriada a cada 6 a 12 meses, dado o crescimento lento da maioria desses tumores.

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