Especialidade

Doença de Moyamoya

Estreitamento progressivo das artérias cerebrais tratado por revascularização para prevenir AVCs.

Doença de Moyamoya
01 — O QUE É

Uma “nuvem de fumaça” nos vasos do cérebro.

A Doença de Moya-Moya afeta os vasos sanguíneos do cérebro: provoca o estreitamento progressivo das artérias que levam sangue ao cérebro, resultando na formação de vasos colaterais anormais com aparência de “nuvem de fumaça” em exames de imagem — daí o nome, que significa “fumaça” em japonês.

A causa exata ainda é desconhecida, mas fatores genéticos têm papel importante. A condição pode ser primária ou caracterizar uma síndrome quando associada a outras doenças, como anemia falciforme, Síndrome de Down ou condições autoimunes.

É mais comum em populações asiáticas, mas ocorre em todo o mundo, inclusive no Brasil. Afeta crianças e adultos, com maior risco entre 5 e 10 anos nas crianças e entre 30 e 40 anos nos adultos.

Fig. 01 — Rede colateral de Moya-Moya
Fig. 01 — Rede colateral de Moya-Moya
02 — SINTOMAS

Manifestações conforme a idade

Os sintomas variam com a idade. Em crianças, predominam os AVCs isquêmicos e ataques isquêmicos transitórios — cerca de 65% a 70% apresentam fraqueza, dormência ou dificuldade de fala como primeiros sinais. Em adultos, predomina a hemorragia intracerebral (cerca de 40% dos casos), embora AVCs isquêmicos também sejam frequentes:

  • AVC isquêmico ou AIT
  • Hemorragia intracerebral
  • Crises convulsivas
  • Alterações cognitivas progressivas
03 — DIAGNÓSTICO

Diagnóstico por imagem

A angiografia cerebral é o padrão-ouro para confirmar o estreitamento das artérias e a presença dos vasos colaterais.

A ressonância magnética avalia possíveis áreas afetadas por isquemia, e a tomografia computadorizada pode identificar alterações iniciais ou danos cerebrais. Em conjunto, esses exames ajudam a definir o estágio da doença e a planejar o tratamento.

04 — TRATAMENTO

Revascularização cerebral

O tratamento é essencial para prevenir AVCs e hemorragias. Cada caso é avaliado individualmente:

01

Revascularização direta (bypass)

Criação de novas conexões entre vasos sanguíneos para garantir a circulação adequada ao cérebro. Deve ser realizada por neurocirurgião experiente em microcirurgia vascular.

02

Revascularização indireta

Técnicas como a encéfalomiossinangiose (EMS), a EDAS e a EMAS, em que tecido vascularizado é colocado sobre o cérebro para estimular, ao longo do tempo, o desenvolvimento de novos vasos e melhorar o fluxo colateral.

03

Medicamentos

Embora não curem a doença, medicamentos como a aspirina podem reduzir o risco de formação de coágulos até que a cirurgia seja realizada.

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