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MAVs

Conexões anormais entre artérias e veias cerebrais que exigem ressecção microcirúrgica de alta precisão.

MAVs
01 — O QUE É

Conexões anormais entre artérias e veias cerebrais.

As malformações arteriovenosas (MAVs) são shunts diretos entre artérias e veias cerebrais displásicas, em que um nidus de vasos anormais, de paredes finas e frágeis, está interposto sem parênquima dentro dele. Considera-se que têm origem congênita, podendo mudar seu comportamento hemodinâmico ao longo da vida do paciente.

Podem localizar-se em qualquer parte do sistema nervoso central, sendo mais comuns nos hemisférios cerebrais e, em ordem decrescente, cerebelo, núcleos cerebrais, tronco encefálico e medula espinhal. A morfologia é bastante variável, de poucos milímetros a mais de seis centímetros.

São raras — cerca de 0,1% da população, um décimo da incidência dos aneurismas cerebrais. Aproximadamente 90% encontram-se na região supratentorial e cerca de 15% permanecem assintomáticas durante toda a vida. Não têm preferência de gênero.

Fig. 01 — Nidus arteriovenoso
Fig. 01 — Nidus arteriovenoso
02 — SINTOMAS

Como as MAVs se manifestam

A apresentação depende da idade do paciente, do tamanho, da localização e das características vasculares da MAV. A hemorragia é a manifestação mais comum:

As MAVs não rotas têm risco anual de hemorragia de 2% a 4%, maior nas já rotas — especialmente no primeiro ano após a ruptura. Drenagem venosa profunda, localização cerebral profunda e nidus de pequeno tamanho aumentam o risco de ruptura. O déficit neurológico costuma decorrer do “roubo de fluxo” provocado pela malformação.

  • Hemorragia cerebral
  • Convulsões
  • Déficit neurológico focal
  • Cefaleia
03 — DIAGNÓSTICO

Diagnóstico por imagem

Os estudos de imagem são essenciais para estabelecer o diagnóstico e caracterizar a lesão para o planejamento. A tomografia de crânio costuma ser o primeiro exame, usada para descartar uma hemorragia.

A ressonância magnética define a localização do nidus, suas relações neuroanatômicas e a veia de drenagem associada; a angio-RM caracteriza a drenagem venosa e outras características vasculares com alta precisão.

A angiografia digital é o padrão-ouro — um exame dinâmico que revela a anatomia e a fisiologia do nidus, discrimina os vasos que o alimentam dos de passagem, localiza a drenagem e demonstra aneurismas associados, de maior risco de sangramento.

Fig. 02 — Angiografia digital
Fig. 02 — Angiografia digital
04 — TRATAMENTO

Tratamento multidisciplinar

O tratamento é individualizado e multidisciplinar. A decisão considera o tamanho do nidus, o tipo de drenagem venosa (superficial ou profunda) e a localização — eloquente ou não (Classificação de Spetzler-Martin):

01

Ressecção microcirúrgica

Microdissecção, coagulação e corte de cada vaso aferente até desconectar o nidus da circulação, preservando a veia de drenagem até o fim. Conta com angiografia intraoperatória com indocianina e monitorização neurofisiológica contínua.

02

Cirurgia com paciente acordado

Para MAVs em áreas eloquentes (fala, córtex motor, sensitivo ou visual), a craniotomia acordada com estimulação cortical direta permite avaliar as regiões adjacentes em tempo real e obter uma ressecção segura, com recuperação mais rápida.

03

Embolização endovascular

Em MAVs de alto fluxo ou de localização profunda, a embolização seletiva dos vasos que irrigam o nidus é feita antes da cirurgia, reduzindo o volume de sangue que chega à malformação e o tempo da ressecção.

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